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TweetCarnaval 2010
Carnaval ainda não é negócio



[18/01/2010] - As oito décadas de Carnaval intenso em São Francisco do Sul mantêm a tradição que faz a população da Ilha bater no peito de orgulho. Mas as famílias que fazem a festa se acostumaram também com uma lógica perigosa: esperar demais pelo dinheiro público para fazer o evento acontecer. O que traz um problemão: botar o grosso do Carnaval de pé em pouco mais de um mês. Problema reconhecido por escolas e pela Prefeitura também. O desfile das quatro escolas será no dia 13 de fevereiro.
Uma das escolas, a Unidos de Paulas, ainda nem definiu o enredo. 'Estamos mudando tudo porque veio menos dinheiro do que esperávamos', disse Geraldo Bernardo, presidente da Unidos do Paulas. Na semana passada, dois dias após a liberação da verba, ele e mais quatro rapazes começavam a trabalhar no esqueleto de um dos três carros. O barracão, descoberto, é o terreno de sua própria casa.
As outras três escolas estão só um pouco mais adiantadas. A que mais trabalha em fantasias é Imperadores do Samba. Também porque é a que mais reaproveita fantasias. A Mocidade, da Água Branca, usa dois cômodos do restaurante do presidente da escola, José Fernando do Nascimento, o Maceió. Instrumentos da bateria e restos de fantasia seguem lá.
Em São Francisco do Sul, assim como em Joinville, uma postura é determinante: o Carnaval não é encarado como negócio, especialmente pelas escolas de samba. 'A folia francisquense é um dos únicos casos, senão o único do Brasil, em que as fantasias não são cobradas. É só chegar e escolher', lembra Willy Santos, da Imperadores do Samba.
Uma cultura que os carnavalescos parecem fazer questão de perpetuar. 'Como é que vou botar para vender uma fantasia para a minha comunidade que às vezes vem pedir cesta básica para ajudar a montar carro? Não tem cabimento', diz Bernardo.
Mas não dava para vender parte das fantasias, fazer alas pagas, e outras para a comunidade? 'Não. Ou vende tudo, ou dá tudo. Senão dá problema', diz o Maceió. Uma pequena evolução: algumas escolas exigem que os calçados sejam dos passistas.
O máximo que algumas escolas conseguem – e olhe lá – é vender algumas fantasias após o Carnaval, para quem quer guardá-las de lembrança.
Foto 2 / 3 - Galpão da Unidos de Paulas é o quintal da casa do presidente Bernardo (D).
Fonte: AN / Rodrigo Stupp
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